terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Scalenos Rock Band fortalecendo o underground no ES


Scalenos Rock Band fortalecendo o underground no ES

Acima, arte com o segundo álbum da banda "Temer Jamais"

Desde dezembro de 2013, quando recebi o primeiro "Olá Jack" do Luiz Paulo Botto, guitarra e vocal da banda Scalenos, sabia que se tratava de um trabalho duradouro.

Fácil perceber pela produção de suas músicas, pela vontade de trabalhar e pelo profissionalismo no palco que guardam desde seu começo até hoje, marcando o rótulo de "rock band".

Além disso, têm criatividade, expressando a capacidade de fazer, e fazer melhor. Vi essa proposta na banda em mais de uma apresentação no Bar do Gilson, em Cariacica/ES.

A banda Scalenos também é uma representante do gueto, da rua, do underground, de onde eles vêm, origem expressa em suas letras.

Acima, divulgação de show no Bar do Gilson,
em Oriente, Cariacica, com o álbum "Até o Fim"

Sua música? Boas baladas acompanhadas por riffs de guitarra bem marcantes, num agradável estilo de hard rock e bem executadas, com refrões destacados e boa argumentação instrumental. 

Em seu estilo, percebemos influências do rock, punk, hard-core e rap, sempre pautado pelo instrumental bem trabalhado e equilíbrio entre baixo e bateria, se distanciando do exagero musical. 

Tive a oportunidade de ouvir algumas músicas do novo álbum "Temer Jamais", o segundo da banda.

Gostei muito do resultado, especialmente pelos versos que expressam consciência política e social: rock do bom e útil, não só para diversão, mas também para reflexão.

Uma das logos da banda, um de seus pontos forte: divulgação

Um dos méritos dos Scalenos, também buscado por todos que fazem parte da cena underground no ES, está na organização de sua produção, suando a própria camisa e às vezes (sempre) tirando do próprio bolso (normal). 

Trabalham bem nas redes sociais, melhor que a média que tenho visto entre bandas e artistas locais, aperfeiçoando meios para dialogar com seu público, com boa comunicação e divulgação. 

Na conversa com Botto, ficou claro a vontade de "chegar lá" e nunca esmorecer diante das adversidades do "mercado" e da cena underground, mesmo com membros da banda abandonando o projeto, que também faz parte da caminhada. 


Para finalizar nossa impressão, podemos dizer que o underground tem várias faces e os Scalenos fazem parte de uma delas.

Desde 2013 acompanho a banda nas redes sociais e apresentações, e observo que trabalham muito para criar e manter sua obra musical autoral. 

Assim o underground se fortalece...

Nas Palhetadas de Ano Novo... TUDO PELO ROCK!

Jack Zoopatia com os amigos do coletivo
Cariacica Underground em outubro de 2017





quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

10 anos de Lei João Bananeira e 25 anos de Fest Rock

10 anos de Lei João Bananeira e 25 anos de Fest Rock

Acima, os contemplados do ultimo edital da Lei João Bananeira recebendo o diploma de aprovação em cerimônia oficial no Centro Cultural Frei Civitella Del Tronto, no dia 1° de dezembro de 2017

Já se passaram dez anos desde o primeiro edital da Lei João Bananeira... e vinte e sete anos desde o 1º e 2º Fest Rock em Campo Grande, realizados em 1992 e 1994, os maiores shows de rock que Cariacica já realizou.

Nos anos 90 não existia uma secretaria de cultura, mas tão somente um "departamento de cultura, esporte e lazer", que se resumia a uma pequena sala com paredes de divisórias bege, sem janela, sem telefone, uma mesa de escritório daquelas bem simples e umas cadeiras velhas, no mesmo prédio que hoje abriga a prefeitura.

Lembro-me que naquela época nossa luta em Cariacica era pelo reconhecimento do segmento cultural com a criação de uma secretaria de governo, e não apenas um departamento.

Nos corredores da prefeitura, era fácil encontrar Hudson Braga, que já era um militante da cultura "bosta seca", e eu, com meus amigos punks, herdeiros do rock nacional, tentávamos emplacar algum apoio da prefeitura para um show underground.


Na cerimônia de entrega dos diplomas, em dezembro de 2017, Hudson Braga encena e faz uma retrospectiva dos principais momentos da cultura de Cariacica, dos quais participou, lembrando o lançamento da pedra fundamental do Centro Cultural Frei Civitella Del Tronto

Tempos difíceis (décadas de 80 e 90) em que a cultura era entendida como um aglomerado de pessoas em frente a um palco com uma atração especial, geralmente covers de artistas como Xuxa, RPM e Menudos.

Os maiores acontecimentos culturais eram os comícios políticos que fechavam a Expedito Garcia ou a Avenida Campo Grande, com bandas e cantores famosos.

Aos artistas locais, a prefeitura, na época sob a administração de Aloízio Santos, oferecia uma caixa acústica de voz e um microfone para aqueles que pediam apoio.

Naquele período, os dois Fest Rock foram campeões de audiência nos meios de comunicação e entre o público, alcançando mais de 5 mil jovens presentes em uma só edição.

Historicamente, os Fest Rock em Campo Grande só perdem para os "Carnajoões" e para o show do Paul McCartney.


Os Fest Rock aconteceram, mas só por muita força de vontade e insistência. Ficamos dias literalmente acampados na ante-sala do gabinete do prefeito para uma reunião previamente agendada, mas essa história fica para a próxima crônica...

Bons e velhos tempos de rock and roll em nossa amada Cariacica.

Hoje, a Lei João Bananeira é que é a campeã: importante no apoio aos artistas, é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento cultural do município.


Acima, parte da equipe responsável pela Secretaria de Cultura: Evelyn, Renata, Juninho (prefeito) e Erildo (secretário)
Parabéns a todos nós pelos dez anos dessa conquista.

Do seu editor punk, com vários projetos aprovados na Lei João Bananeira, TUDO PELO ROCK! 


Jack Zoopatia na Caravana Punk (2009 a 2012)







quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Coletivo Cariacica Underground vai Formar Cineclubistas

Coletivo Cariacica Underground vai Formar Cineclubistas

Acima, a diplomação da proponente do projeto cultural
Cineclube Ambiental, Andresa Damasceno

A Lei João Bananeira vai proporcionar a Cariacica a formação de cineclubistas através do projeto cultural "Cineclube Ambiental: o que vamos fazer com o lixo?".

O projeto foi aprovado no último edital da lei de incentivo à cultura e teve a entrega dos diplomas na última sexta-feira, dia 1º de dezembro de 2017, em cerimônia de comemoração aos 10 anos de editais de lei em Cariacica.

Com a entrega dos certificados, o projeto poderá ser executado a partir de 2018.

Segundo Paulo Henrique, membro do coletivo, o grupo pretende desenvolver a formação de cineclubistas dentro do ambiente escolar. "Para nós é muito importante a interação com os jovens dentro da escola, pois trata-se de um equipamento completo, com segurança e estrutura física em condições de receber as atividades educativas do projeto".

A proposta é formar cineclubes e cineclubistas que dialoguem com a temática ambiental, buscando fontes de informação e inspiração em seus próprios bairros. 

Inicialmente, o projeto deverá ser executado nos bairros Oriente, Rosa da Penha, Nova Brasília e Vera Cruz.

Durante a formação, os jovens receberão capacitação em meio ambiente, comunicação social, cineclubismo, produção de áudio e vídeo e produção cultural.

O projeto foi idealizado pelo coletivo Cariacica Underground, que reúne diversas manifestações da cultura jovem de rua como música, cineclubismo, rap, poesia marginal, teatro de rua, grafite, aerografia, skate e bike, dentre outras manifestações.

Sempre no underground, do seu editor punk, ouvindo a banda Scalenos, de Viana/ES...

TUDO PELO ROCK!


Jack Zoopatia com o baterista do Ratos de Porão, no bar Correria, em 2014.




sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O Rock foi à Biblioteca

O Rock foi
à Biblioteca
 


Representantes do underground cariaciquense fizeram parte da programação do projeto "Biblioteca Misteriosa", no último dia 31 de outubro, na Biblioteca Pública Municipal Madeira de Freitas, em Campo Grande, para contar um pouco da história do estilo musical mais ouvido do planeta, o rock.

Foram convidados às falas o guitarrista Fabrício Hoffman, da banda Bad Guys, mestre em educação e bacharel em música pela UFES; Jack Zoopatia, jornalista e editor do blogue Palhetadas do Rock; e Paulo Henrique Linguiça, técnico ambiental e representante da Internacional Anarco Punk (IAP) no ES.

Paulo Henrique Linguiça, Jack Zoopatia e Fabrício Hoffman


As primeiras falas foram de Fabrício Hoffman, que sintetizou os conhecimentos históricos sobre o gênero.

Fabrício lembrou que o rock veio do blues, que era um cântico de lamento dos negros americanos nos campos de algodão. Citou uma das maiores lendas do blues, Robert Johnson, e o mito de que teria vendido sua alma ao diabo para ser o maior blues man de todos os tempos. O mito foi retratado no filme Crossroads, de 1986.

Um registro muito importante feito por Hoffman foi sobre a criação dos doze compassos do blues introduzidos per Robert Johnson, demonstrado por Fabrício no violão Yamaha C80, levado por Jack Zoopatia.




Em seguida, o editor do blogue Palhetadas do Rock, Jack Zoopatia, inicia sua fala enfatizando a importância do registro da "cena", citando o livro Rockrise (2012), do jornalista José Roberto Santos Neves, que cita o underground cariaciquense dos anos 80 e 90, registrando as bandas Zoopatia e Resistência Hard Core (RHC).

Jack lembrou também do livro ABZ do Rock Brasileiro (1987), de Marcelo Dolabela, o qual cita a banda punk capixaba Ferida Exposta, como representante do punk no Espírito Santo.

Jack lembrou do festival de bandas realizado em 1993 e 1995 intitulado Fest Rock em Campo Grande, que teve as bandas Porrada, Dead Fish e Lordose Pra Leão

"Os registros são importantes para a memória cultural, pois sem registro, não há lembrança, e parte do que fizemos terá sido em vão para as futuras gerações", afirma Jack Zoopatia.

Jack é guitarrista fundador da banda Zoopatia (1987), criada a partir da banda Guerrilha, esta a primeira banda punk de Cariacica.

Em seguida, vieram as falas de Paulo Henrique Linguiça, vocalista da banda Resistência Hard Core (RHC), que abriu seu comentário lembrando que o rock é o estilo musical mais ouvido do mundo.

Em seu passado e presente, Paulo Henrique doou e doa seu espírito libertário ao rock e ao underground através de sua banda e das lutas sociais que encampa.


Paulo Henrique e Redson: passado em comum quando tocaram juntos em Vitória (2009), no show de 25 anos de carreira da banda punk paulistana, encontro proporcionado pela banda Ferida Exposta

Ao encerrar, Linguiça parabenizou a iniciativa da equipe da biblioteca municipal Madeira de Freitas ao incluir o rock em sua temática.

As Palhetadas ficam por aqui, mas continuam na cena!

TUDO PELO ROCK!









quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Coletivo Cariacica Underground Inicia Parceria com Secretaria de Cultura

Coletivo Cariacica Underground:
na Rua

Representantes do coletivo Cariacica Underground: Alex Siqueira, Marcelo Silles, Tiago Santos, Jack Zoopatia, Paulo Henrique Linguiça, Múmia, Erildo Denadai (secretário de cultura) e Samara Segades.

No último dia 26 de outubro de 2017, numa quinta-feira, o coletivo Cariacica Underground foi recebido pelo Secretário de Cultura do município, Erildo Denadai, para uma apresentação formal e propostas de parceria para fortalecer a cena underground local.

Um dos objetivos da reunião foi de uma associação entre as entidades para executar o projeto "Underground na Rua", idealizado pelo grupo e que propõe a circulação de um modelo de intervenção cultural em conjunto com as comunidades locais.

Membros do coletivo Cariacica Underground em reunião na praça da Avenida Jerusalém: Jack Zoopatia, Paulo Henrique Linguiça, Tiago Santos, Emerson da Silva e Samara Segades. Degustação de cerveja e um ótimo bate-papo com avanços significativos na organização do coletivo.

O projeto prevê a exibição de grupos musicais, teatro, oficinas, cineclubismo, feira de trocas, feira de vinis, feira de alimentos, apresentação da cultura hip hop, skate e bike, dentre outras manifestações da cultura underground.

A proposta também contém a intenção de promover os talentos artísticos residentes nos bairros visitados. Por isso a atuação das associações de artistas e de bairros será fortemente incentivada a partir de encontros com a organização do projeto.

O resultado da reunião foi excelente. Dentre as propostas do coletivo, está a solicitação de uso de um espaço dentro do Centro Cultural Frei Civitella, exclusivo para representantes da cena underground, que serviria de base de apoio para realização de encontros, reuniões e apresentações musicais e exposição da arte contemporânea underground. Além disso, foi solicitado que o local possa abrigar instrumentos musicais e caixas de som para a realização de ensaios de bandas e grupos e também de teatro e rap.

As intervenções vão seguir um calendário que prevê sua circulação nas praças dos bairros Oriente, Nova Brasília, Rosa da Penha, Itacibá, Jardim América, Campo Grande, São Geraldo, Itaquari, Vila Palestina e outros que ainda serão indicados.

De acordo com o coletivo, a ocupação de espaços públicos por movimentos sociais da comunidade é uma realidade há muito praticada e que o underground cariaciquense deve incrementar.

Segundo Jack Zoopatia, essa relação com o poder público é obrigatória pois o underground possui várias faces. "Uma face é da rua e de protesto e contestação, mas também há uma face de contato com outros seguimentos da sociedade", diz.

De acordo com Paulo Henrique Linguiça, desde o início dos anos 90, os militantes da cena buscaram novos nichos para suas manifestações políticas, sociais e de contracultura. "Nos juntamos a movimentos sociais e não nos separamos dele. Hoje, temos que realizar esse diálogo e ocupar um espaço que nos pertence", completa.


Acima, Paulo Henrique Linguiça em conferência que aconteceu em 31 de outubro de 2017, sobre o underground, na Biblioteca Pública Madeira de Freitas, onde falou das curiosidades do rock e da cena underground no Estado e em Cariacica. Paulo Henrique Linguiça é o principal representante da Internacional Anarco Punk (IAP) no Espírito Santo e um dos interlocutores e articuladores do movimento no Brasil.

O coletivo Cariacica Underground é formado principalmente por representantes da cena cariaciquense e está aberto à participação de todos que quiserem fortalecer o movimento. Dentre os membros, alguns se mantém em atividade desde o final da década de 80.

As Palhetadas são do rock e o underground está nas ruas.

Do seu editor de sempre, nos encontramos na cena!


domingo, 27 de agosto de 2017

A Volta dos Que Não Foram - Lordose Pra Leão

Lordose Pra Leão Relança "Os Pássaros"

A clássica formação que gravou "Os Pássaros" em 1996: Sandro Costa, Márcio Vaccari, Marcelo Maia, Adolfo Oleare, Serjão Nascimento e Zé Renato Rodrigues. (Foto divulgação)

A banda de rock que marcou os anos 90 no Espírito Santo e influenciou milhares de jovens comemora os vinte anos de seu primeiro álbum, Os Pássaros não Calçam Rua, lançado em 1996, agora em formato luxuoso.

Mas a bolacha vermelha é para poucos. Foram prensados apenas 300 exemplares financiados pela prática do crowdfunding.

Assim o Lordose Pra Leão volta com seus metais e com as vozes marcantes e criativas de Adolfo Oleare e Serjão Nascimento, e tudo mais.


Adolfo Oleare, Serjão Nascimento e Sandro Costa

Mas o vinil vermelho não é o único presente desses roqueiros doidos. Seu lançamento nos promete algumas apresentações da banda ao longo do ano, onde poderemos prestigiar e relembrar o velho clima do rock and roll autoral. Quem sabe eles deem uma passada em nossa amada Cariacica Underground, sem rimas...

O relançamento de seu primeiro álbum não foi exatamente uma ação de mercado, mas também não foi obra do acaso.

Márcio Vaccari, colecionador de vinis e frequentador das feiras dos Amigos do Vinil, foi incentivado a levar adiante planos de prensagem e relançamento utilizando a velha parceria com apoiadores/amantes do rock e a nova prática dos crowdfunding.


Acima, fãs recebem de Márcio Vaccari e Marcelo Maia seu exemplar, que se materializou pela colaboração dos Amigos do Vinil com a ideia de um crowdfunding - proposta de financiamento coletivo que viabiliza a produção de discos, livros, filmes, dentre outros produtos culturais. O projeto teve o apoio da Gráfica Comercial, de Colatina, onde foram fabricadas com excelência as capas adequadas ao novo formato e, sob o patrocínio do Estúdio Funky Pirata, foi feita uma masterização para prensagem em vinil. (Texto: nota Lordose. Foto: Vida Ativa)

Foi assim que tudo aconteceu.

Mas na década de 90 a história era outra.

Em meio à profusão do Rock Nacional e o movimento de bandas de garagem, o Lordose tornou realidade o sonho de todos os roqueiros da época: tocar em palcos legais e ter o reconhecimento do público e de outras bandas.

Mas eles foram muito além e alcançaram as grandes mídias locais: mantiveram seus hits, como Jullyetsch, tocando por semanas nas rádios rock do Estado, inclusive superando a lendária Legião Urbana.

Firmaram uma parceria com Zé Ramalho e foram pioneiros na homenagem a Sérgio Sampaio, pagando direitos até hoje, rs...


Vaccari, ao fundo, e os metais com Luciano Cruz, o Kalango (sax), e Beto Trombose, no trombone, é claro...

O Lordose nunca se foi, sempre esteve por aí... e agora, de novo juntos... com a guitarra entusiástica de Marcelo Maia, com o baixo marcado do Sandro Costa e é claro, com a bateria eclética de Márcio Vaccari.


Serjão e Sandro Costa...
Mas em nossa visita ao ensaio, faltou meu conterrâneo e membro da formação original do Lordose, Zé Renato Rodrigues, que teve problemas para ir ao ensaio... 

Mas não importa, nos encontraremos por aí, nas braquiárias do rock... agora, ao som de Frevo Mulher, por Lordose Pra Leão...

TUDO PELO ROCK!


domingo, 6 de agosto de 2017

Cariacica Underground

Cariacica
Underground





Parafraseando Guimarães Rosa, “nossa Cariacica são muitas” e nossas identidades não se perdem no meio urbano, pelo contrário, criam-se identidades urbanas, mesmo que dentro de uma forte influência contemporânea onde se vê a homogeneização de comportamentos.

Desde o final do século XX debatemos sobre a retomada ou proteção das culturas tradicionais em meio ao avanço da massificação cultural, impulsionada pelo incremento das comunicações. Mas nessa miscelânea humana e tecnológica, as demarcações políticas e geográficas formam territórios com identidades próprias e objetivos com boa definição.

Em nossa região metropolitana (Grande Vitória), observamos diferenças nos comportamentos que são moldados pelas vivências dos diversos grupos. Em Cariacica, por exemplo, entre Cariacica Sede e Campo Grande ─ este, o maior centro comercial do município e polarizador da cultura local, percebemos interesses, manifestações e reivindicações próprias. Assim também entre Roda D’água com seu tradicional congo, na zona rural, e Flexal 1 e 2, com o hip hop que fala das mazelas das periferias urbanas, com culturas locais muito diversas, tendo suas próprias demandas de consumo e criação.

A construção dessas identidades também sofre a influência da percepção estrangeira. O olhar depreciativo e preconceituoso de fora que possa existir, ou valorativo e incentivador, certamente compõem a construção dessas identidades, seguindo o mesmo padrão já estudado na psicologia, em que indivíduos se comportam tendo como parâmetro as expectativas do outro. 

Hoje em Cariacica existe um forte movimento de cultura jovem de rua, uma cultura contemporânea e underground que desde o final da década de 80 se manifesta e influencia comportamentos em toda Grande Vitória. 

Sua estética repercute um movimento mundial, mas que demonstra vontade de alcançar valores próprios, independentes e autênticos. Por isso o movimento underground em Cariacica dá tão bons frutos nas diversas artes humanas ─ na literatura, na música, nas artes cênicas, nas artes visuais, etc. Blogs de cultura, como o Palhetadas do Rock, grupos de música autoral como o Resistência Hard Core e o Brígida de La Penha, grupos de teatro como o Motim, que leva consigo os ideais do movimento anarquista; coletivos que realizam oficinas culturais em comunidades carentes, criando cineclubes de temática ambiental e formando jovens na iniciação às artes. 

Artistas cariaciquenses premiados nacionalmente, como Dílio Lyra e o grupo Cia Panc de Dança, fazem parte desse movimento que tem também como protagonista uma parcela do poder público materializada na atual secretaria de cultura, que efetivamente ocupou importante espaço de fomento, assumindo o que a Organização das Nações Unidas (ONU) já proclamou: a cultura como um dos pilares do desenvolvimento. 

Essa é a Cariacica underground, moderna e pós-moderna, tradicional e contemporânea, que segue o desejo de distinção, de oposição e de ser ela própria, como esclareceu o antropólogo Claude Lévi-Strauss sobre identidade e diversidade, muito bem lembrado por Clarisse Libânio em seus estudos de cultura, e que nos faz perguntar onde nos encaixamos, se no “ou isto, ou aquilo?”, da Clarisse Lispector, ou no “tudo ao mesmo tempo agora”, do Arnaldo Antunes. 

Viva nossa Cariacica underground! 

Jacques Mota 
Jornalista


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