domingo, 27 de agosto de 2017

A Volta dos Que Não Foram - Lordose Pra Leão

Lordose Pra Leão Relança "Os Pássaros"

A clássica formação que gravou "Os Pássaros" em 1996: Sandro Costa, Márcio Vaccari, Marcelo Maia, Adolfo Oleare, Serjão Nascimento e Zé Renato Rodrigues. (Foto divulgação)

A banda de rock que marcou os anos 90 no Espírito Santo e influenciou milhares de jovens comemora os vinte anos de seu primeiro álbum, Os Pássaros não Calçam Rua, lançado em 1996, agora em formato luxuoso.

Mas a bolacha vermelha é para poucos. Foram prensados apenas 300 exemplares financiados pela prática do crowdfunding.

Assim o Lordose Pra Leão volta com seus metais e com as vozes marcantes e criativas de Adolfo Oleare e Serjão Nascimento, e tudo mais.


Adolfo Oleare, Serjão Nascimento e Sandro Costa

Mas o vinil vermelho não é o único presente desses roqueiros doidos. Seu lançamento nos promete algumas apresentações da banda ao longo do ano, onde poderemos prestigiar e relembrar o velho clima do rock and roll autoral. Quem sabe eles deem uma passada em nossa amada Cariacica Underground, sem rimas...

O relançamento de seu primeiro álbum não foi exatamente uma ação de mercado, mas também não foi obra do acaso.

Márcio Vaccari, colecionador de vinis e frequentador das feiras dos Amigos do Vinil, foi incentivado a levar adiante planos de prensagem e relançamento utilizando a velha parceria com apoiadores/amantes do rock e a nova prática dos crowdfunding.


Acima, fãs recebem de Márcio Vaccari e Marcelo Maia seu exemplar, que se materializou pela colaboração dos Amigos do Vinil com a ideia de um crowdfunding - proposta de financiamento coletivo que viabiliza a produção de discos, livros, filmes, dentre outros produtos culturais. O projeto teve o apoio da Gráfica Comercial, de Colatina, onde foram fabricadas com excelência as capas adequadas ao novo formato e, sob o patrocínio do Estúdio Funky Pirata, foi feita uma masterização para prensagem em vinil. (Texto: nota Lordose. Foto: Vida Ativa)

Foi assim que tudo aconteceu.

Mas na década de 90 a história era outra.

Em meio à profusão do Rock Nacional e o movimento de bandas de garagem, o Lordose tornou realidade o sonho de todos os roqueiros da época: tocar em palcos legais e ter o reconhecimento do público e de outras bandas.

Mas eles foram muito além e alcançaram as grandes mídias locais: mantiveram seus hits, como Jullyetsch, tocando por semanas nas rádios rock do Estado, inclusive superando a lendária Legião Urbana.

Firmaram uma parceria com Zé Ramalho e foram pioneiros na homenagem a Sérgio Sampaio, pagando direitos até hoje, rs...


Vaccari, ao fundo, e os metais com Luciano Cruz, o Kalango (sax), e Beto Trombose, no trombone, é claro...

O Lordose nunca se foi, sempre esteve por aí... e agora, de novo juntos... com a guitarra entusiástica de Marcelo Maia, com o baixo marcado do Sandro Costa e é claro, com a bateria eclética de Márcio Vaccari.


Serjão e Sandro Costa...
Mas em nossa visita ao ensaio, faltou meu conterrâneo e membro da formação original do Lordose, Zé Renato Rodrigues, que teve problemas para ir ao ensaio... 

Mas não importa, nos encontraremos por aí, nas braquiárias do rock... agora, ao som de Frevo Mulher, por Lordose Pra Leão...

TUDO PELO ROCK!


domingo, 6 de agosto de 2017

Cariacica Underground

Cariacica
Underground





Parafraseando Guimarães Rosa, “nossa Cariacica são muitas” e nossas identidades não se perdem no meio urbano, pelo contrário, criam-se identidades urbanas, mesmo que dentro de uma forte influência contemporânea onde se vê a homogeneização de comportamentos.

Desde o final do século XX debatemos sobre a retomada ou proteção das culturas tradicionais em meio ao avanço da massificação cultural, impulsionada pelo incremento das comunicações. Mas nessa miscelânea humana e tecnológica, as demarcações políticas e geográficas formam territórios com identidades próprias e objetivos com boa definição.

Em nossa região metropolitana (Grande Vitória), observamos diferenças nos comportamentos que são moldados pelas vivências dos diversos grupos. Em Cariacica, por exemplo, entre Cariacica Sede e Campo Grande ─ este, o maior centro comercial do município e polarizador da cultura local, percebemos interesses, manifestações e reivindicações próprias. Assim também entre Roda D’água com seu tradicional congo, na zona rural, e Flexal 1 e 2, com o hip hop que fala das mazelas das periferias urbanas, com culturas locais muito diversas, tendo suas próprias demandas de consumo e criação.

A construção dessas identidades também sofre a influência da percepção estrangeira. O olhar depreciativo e preconceituoso de fora que possa existir, ou valorativo e incentivador, certamente compõem a construção dessas identidades, seguindo o mesmo padrão já estudado na psicologia, em que indivíduos se comportam tendo como parâmetro as expectativas do outro. 

Hoje em Cariacica existe um forte movimento de cultura jovem de rua, uma cultura contemporânea e underground que desde o final da década de 80 se manifesta e influencia comportamentos em toda Grande Vitória. 

Sua estética repercute um movimento mundial, mas que demonstra vontade de alcançar valores próprios, independentes e autênticos. Por isso o movimento underground em Cariacica dá tão bons frutos nas diversas artes humanas ─ na literatura, na música, nas artes cênicas, nas artes visuais, etc. Blogs de cultura, como o Palhetadas do Rock, grupos de música autoral como o Resistência Hard Core e o Brígida de La Penha, grupos de teatro como o Motim, que leva consigo os ideais do movimento anarquista; coletivos que realizam oficinas culturais em comunidades carentes, criando cineclubes de temática ambiental e formando jovens na iniciação às artes. 

Artistas cariaciquenses premiados nacionalmente, como Dílio Lyra e o grupo Cia Panc de Dança, fazem parte desse movimento que tem também como protagonista uma parcela do poder público materializada na atual secretaria de cultura, que efetivamente ocupou importante espaço de fomento, assumindo o que a Organização das Nações Unidas (ONU) já proclamou: a cultura como um dos pilares do desenvolvimento. 

Essa é a Cariacica underground, moderna e pós-moderna, tradicional e contemporânea, que segue o desejo de distinção, de oposição e de ser ela própria, como esclareceu o antropólogo Claude Lévi-Strauss sobre identidade e diversidade, muito bem lembrado por Clarisse Libânio em seus estudos de cultura, e que nos faz perguntar onde nos encaixamos, se no “ou isto, ou aquilo?”, da Clarisse Lispector, ou no “tudo ao mesmo tempo agora”, do Arnaldo Antunes. 

Viva nossa Cariacica underground! 

Jacques Mota 
Jornalista


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