O Punk não está Morto

O Punk não está Morto

As manifestações mais expressivas do Movimento Punk capixaba foram na música e na literatura de protesto (zines), formas de expressão de sua subcultura, que teve auge nos anos 80 e começo dos anos 90. O registro mais antigo da manifestação Punk na música capixaba foi o show da banda Ferida Exposta na carroceria de um caminhão em Vitória, em 1983. Acima, o cartaz dos "20 Anos em Ação", realizado em Cariacica, no começo dos anos 2000.


Oh yes... sedentos of rock...

Pilotamos nossa Máquina do Rock Tempo e viajamos ao passado, ao presente e ao futuro, num instante, contaminados pelas visões dos mestres do rock: Raul, Hendrix, Vicious, Ozzy, Brown...

Voamos baixo nas emoções e sensações of rock e degustamos das fontes mais subversivas dos subterrâneos da cultura de rua e de periferia...

Definitivamente, o Punk não está morto! Nem o rock e nem a Cariacica underground que amamos, apesar do reino do Funk e do Pagode, do Axé e do Sertanejo Universitário...

Na sequência do Dia Mundial do Rock fomos agraciados pela iniciativa do Cineclube Colorado que proporcionou o encontro da cena Punk Capixaba, ou pelo menos de parte dela, no Bar do Pantera, no último dia 18, com a exibição do documentário "Inocentes - 30 anos".


Ao final da exibição do vídeo, houve bate papo sobre diversidade cultural e a existência do Movimento Punk no ES e em Cariacica, com várias sugestões de novos encontros e fortalecimento da cena underground. Presentes, Paulo Henrique, o Linguiça, Ricardo Amaro, do teatro anarquista, Bob Punk e Jack Zoopatia do Movimento Punk cariaciquense da década de 80.

Juliana Gama, anfitriã, única congraçada pelo Hall da Fama Of Rock das Palhetadas, desde quando era do Diabo, convidou a Caravana Punk para fazer parte do evento com sua mostra de zines, fotos e presença de Punks velhos.

Deu tudo certo!


Cartaz de mil novecentos e antigamente (sem data completa, entre 90 e 93), anuncia show punk no Teatro Carmélia, em Vitória, com patrocínio do Comercial São José, de Campo Grande, e ingressos a Cr$ 250,00 (cruzeiros). Um dos patrocinadores é a Tarkus Discos que começou na Expedito Garcia, em Campo Grande, e apoiou os eventos Fest Rock em 1992 e 1994, tornando-se o primeiro selo independente no cenário underground capixaba.

Vieram Del (DZK) e sua turma de Paul e redondezas, gritando bem na entrada "Desgraça acontece em todo lugar...". Léo Aranha, pesquisador, Punk e professor de artes em Cariacica e Vila Velha, compareceu trazendo parte de seu material de pesquisa, que incluía o primeiro EP dos Inocentes, de 1983, Miséria e Fome, muito bem conservado.

Veio também Noé Filho, agora reabilitado, baterista, baixista, guitarrista, tecladista e compositor da banda Harmonia Turbulenta, que forma junto com o Léo Aranha.


No debate, Léo Aranha lembra que o Bar do pantera é o templo do rock e que por isso o cineclube deveria itinerar pelas periferias do município, onde, por sua experiência como professor em Cariacica "só tem funk e pagode".

Outro Aranha também esteve presente. Wesley veio de Santana para confraternizar com a turma da Expedito Garcia...

Então, estavam lá Jack Zoopatia, Bronha, que tantas vezes salvou a Caravana Punk com seu equipo, Bob Punk, sem o Cláudio, que virou crente, e Paulo Henrique, o Linguiça, que em torno de si mantém a existência da face Punk do underground em Cariacica.


Ricardo Amaro e Paulo Henrique lembram que o movimento Punk não foi só feito de bandas, mas deu origem também ao Teatro Anarcopunk, com o Grupo Motim de Teatro, o qual ajudaram a criar, enfatizando o caráter eclético da cultura Punk.

Mas se o encontro era Punk, tinha que ser Punk!

Eis que, como numa miragem, esse que vos escreve vê três vultos subindo a ladeira. Eram os Punks do Corja Suburbana e do Ferida Exposta! Foi mesmo Punk! Eles sempre aparecem, chova pedra ou canivete, sempre os Punks!

Os vultos do rock e do underground eram Albertinho Vidal, Kidão e Paulo Holzmeister, a ferida suburbana exposta, com muita história vivida e pra contar... desde 1983, data de sua aparição...


Paulo Holzmeister da banda Ferida Exposta, precursora do Movimento Punk no ES, e Kidão e Alberto Vidal do Korja Suburbana, responsáveis pela vinda da banda Cólera em Vitória em 2009, quando dividiram palco com o Zoopatia, RHC e Harmonia Turbulenta.

Bill Candeias emocionou-se ao lembrar que um dia fez parte de um movimento tão intenso, membro que era da banda Resistência Hard Core (RHC). Manuseou zines que ele mesmo produzira e nem sabia que ainda existiam. Viu fotos antigas do Movimento Punk e cartazes de shows que fez nas décadas de 80 e 90.


Encontro de Punks velhos: Osvaldo (RHC), Kidão (Korja), Paulo Henrique (RHC), Bill Candeias (RHC) e Alberto Vidal (Korja). Muita história para registrar em nome do underground capixaba esquecido pelos rocks das crises burguesas. O rock, entre os Punks, é sem crise.


Ao final, Juliana Gama foi ovacionada pelas palmas dos Punks presentes, que agradeceram a oportunidade de se reunirem mais uma vez.

Juliana Gama, juntamente com Alex Siqueira e Viviam Borre, organizam o Cineclube Colorado, no Bar do Pantera, quinzenalmente, desde 2009. Nessa jornada underground, conquistaram o segundo incentivo cultural junto à SECULT e também junto à Lei João Bananeira. Agora vai ser itinerante, quem sabe, na Caravana Cultural Cariacica.

E o Pantera aprovou.

Do seu editor do underground... nossa jornada está apenas começando...

TUDO PELO ROCK!






































Comentários

  1. Infelizmente não pude estar lá, mais estarei no próximo com muito orgulho de fazer parte da cena punk capixaba \m/

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    1. Valeu, Bruno Bandeira, estaremos juntos nas jornadas undergrounds...

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As palhetadas agradecem. TUDO PELO ROCK!

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