quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Cariacica Punk - Crônica 01



Cariacica Punk



Crônica 01






Tudo bem!

Assumimos e os registros não mentem: fomos forjados na década de 80, vivemos nossa adolescência nessa época...

Discotecas, toca-fitas, aparelhos 3 em 1, os vinis e os desenhos animados de Hanna-Barbera...


E os penteados? Pra mim, com cabelos pixaim, não dava pra seguir a moda RPM, rsrsrsrs.

Quanto às roupas, tampouco...

Só dava pra usar mesmo as que tinha, nada demais, porque era muito "certinho" e ainda não tinha conhecido o mundo underground. 

Lembram-se do moonwalker do rei do pop?

Certa vez, na semana de lançamento do vídeo clipe, abri a janela do apartamento em que morava na Bolivar de Abreu, no 3º andar, e pude contemplar os terraços da velha Big Field com jovens imitando o passo do Michael...

Velha década de 80...

E os lugares onde a cena e o folclore local aconteciam? Os clubes Asa Branca e Nacional; a discoteca Aquárius, a boate Luar, a pizzaria Carolina e o bar Carne Seca; a feirinha e o ponto de encontro na esquina da Avenida Campo Grande, onde se reuniam punks, cabeludos, roqueiros... 

Cenários inesquecíveis como o morro do Padre, o Parque Infantil e as redondezas do Hunney Everest Piovesan, o polivalente, que serviram de fundo aos dramas juvenis da época...

Foi tudo tão marcante que lembramos até hoje...

E ainda haviam as rixas entre as turmas dos bairros vizinhos. Os punks de Vila Isabel, os rockers de Jardim América e Alto Laje, que criticavam o "pessoal da Expedito Garcia" e  se degladiavam com os jovens de Itaquari, sentindo-se discriminados pelo Centro formado por Campo Grande.

O pessoal de Jardim América guarda um grande rancor da "turma da Expedito Garcia", rsrsrsrs...

E mais, havia a "racinha de Teci", os cavaleiros de Ico, e tantos outros clãs de nosso folclórico underground.

Foi em 1985, aos 15 anos, que tive contato com meu primeiro “instrumento”, uma guitarra azul de plástico que tinha quatro cordas de náilon.

As tarraxas, é claro, só serviam para segurar as cordas, elas não afinavam. Mesmo assim, eu criava uma regulagem própria e conseguia tirar uns sons parecidos com “música japonesa”. 

Esse brinquedo, ganhei de minha mãe. Um amigo, já tinha a guitarra de plástico dele. Logo conseguimos guitarras de verdade. Ele, com uma guitarra marca Golden, e eu com uma guitarra feita por ele mesmo, modelo em V - acho que foi a primeira de tantas fabricadas por ele, o Sandro Dezan. Logo a substituí pela "famosa" Gianini Stratocaster em 1990, comprada na Mesbla. 

Ainda vislumbrando o mundo do rock, nos reuníamos na casa de amigos e tocávamos muita “música japonesa”, era massa...

Revezávamos entre guitarra base e guitarra solo.

Depois, juntaram-se outros amigos na bateria de caixas de sapatos e latas de conservas... 

Com tanta sede de música, logo evoluímos para o blues. Natural, pois todos sabemos que depois da “música japonesa”, vem o blues, rsrsrsrs. 

Então, chegou a maturidade. Aí o bicho pegou... 

Conhecemos as escalas, os acordes, as notas e os sons através de pentagramas contrabandeados da cidade do Rio de Janeiro, pois na época, sem internet, o acesso a conteúdos era muito difícil.

Mas o silêncio, esse companheiro tão precioso das melodias, esse não conhecemos... 

Desde aquela pequena guitarra azul de plástico com quatro cordas de náilon, nunca mais a música e o rock and roll deixaram minha vida.

Acrescentei aí arte e contestação.

Agora posso dizer: daqui pra frente vou lhes contar muitas histórias. Histórias de uma Cariacica punk, que cresceu e cultivou a música, a arte, a contestação, a juventude...

Fomos uma geração que produziu e ainda produz cultura, com nosso próprio orgulho de periferia.

Fodam-se os rocks da crise porque não há crise no rock, como bem lembrou nosso amigo Alberto Vidal.

Então, atenção aos loucos e sedentos of rock, lhes apresento, Cariacica Punk, a história de nossa geração.



2 comentários:

  1. Pessoal, complementem as histórias e enriqueçam nosso registro. Fiquem à vontade...

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  2. "as redondezas do Hunney Everest Piovesan, o polivalente, que serviram de fundo aos dramas juvenis da época..."

    Chorei *---*

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As palhetadas agradecem. TUDO PELO ROCK!

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